Dedicatória do blog



Dedico esse blog a memória dos inesquecíveis VICENTE ANTUNES DE OLIVEIRA e Dr. MURILO PAULINO BADARÓ, amigos desta e d'outra vida!!! Ambos estão presentes na varanda da minha memória, compondo a história de minha vida, do meu ser e da minha gênese! Suas vidas são lições de que se beneficiariam, se fossem conhecidas, grandes personalidades e excepcionais estadistas. Enriqueceram o mundo com suas biografias e trouxe ao mundo a certeza que fazer o bem é possível, até mesmo na POLÍTICA!


Dedico também a meu trisavô Firmo de Paula Freire (*1848-1931), um dos maiores servidores da república no vale do Jequitinhonha, grande luminar da pedagogia da esperança!

Nossa Legenda

Nossa Legenda
Nossa Fé e Nosso FUturo

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

crônica

A NOSSA TERRA

  As coordenadoras da edição e José Geraldo Rocha.

Todos nós achamos que a nossa terra é a melhor do mundo. E talvez seja mesmo. Conta-se que Sêneca orgulhava-se muito da pequena aldeia onde foi gestado e dera seu primeiro vagido, cujo eco fora recolhido ao seio de sua mãe. Contava isso com muita honra para seus discípulos. Platão e Bias, sábios gregos da primeira plana, também davam grande publicidade às miserabilíssimas aldeias em que nasceram.

Segundo Plínio, o moço, “o dever sagrado do amor à pátria é um dos quais devemos ter medo e vergonha de abjurar perante Deus e perante os homens”. Digo isso porque vejo editado um ótimo livro sobre os amares e os sonhares dos escritores não publicados de Turmalina, sob a competente direção de Gilda Gomes de Macedo e Rosangela Pinheiro. Trata-se do sumo extraído do projeto “O escritor na biblioteca”, levado avante por Neyck Lopes e a equipe da “Biblioteca Comunitária Ler é Preciso Dª Augusta Lima Maciel”, que tenta promover a leitura e a escrita entre os leitores da mesma.

Derramar o sangue e o espírito sobre o papel é uma tarefa difícil, dolorosa e espinhenta, segundo se nota após a leitura de alguns autores ali antologiados. Segundo Lucas Santana, ler é bom, mas escrever é um martírio. O professor José Geraldo Rocha, então vereador da bancada petista, mistura lirismo, erotismo e canto biográfico numa miscelânea bastante interessante, dando mostras de seu enorme talento até agora escondido perante os olhos perscrutadores de Turmalina. Eunice Gomes relata o milagre de sua existência num canto de fé em Deus e amor aos pais. Maria Geralda Soares conta suas experiências de fé transcendente, maternidade e a chegada dos netos. Bianca Leão fala da admiração pela matriarca da família. E assim prossegue...

Bem... é bom que se diga que o título do livro é obra do talhe magistral de Carlos Drummond de Andrade (*1902—†1987) — Trouxeste a Chave? — e mescla variados assuntos entre os quais o existencialismo. Sobre isso discorre com bons argumentos a psicóloga Lívia Orsine acerca da vida e da obra da grandiosa Clarice Lispector. “A hora da estrela”, romance introspectivo da autora, inovadora e desconcertante na sua abordagem da humanidade inquietante em Macabéa, misto de gente e nada existencial. Comodismo psicológico e inquietação espiritual permeiam o romance “A hora da estrela”... busca e experimentalismo é encontrado pelos leitores do projeto e identificado pela ensaísta Livia. De fato...


Graficamente, o livro está muito apresentável. O conteúdo alegra a todos que o lêem. Dá orgulho aos antologiados estarem nele. Os parabéns do cronista...


terça-feira, 27 de agosto de 2013

crônica

UM HOMEM E SUA SILHUETA

Da esquina da avenida Olegário Maciel com a praça Raul Soares o seu vulto surge devagar e constante em minhas retinas. A sua presença no Instituto Histórico é um instinto, é como o ar de cada respiro, o sol de cada manhã, a bruma de toda madrugada. Ou seja, existe uma simbiose entre o homem e a instituição que ninguém desfaz. Após o abraço da chegada o assunto é infindo: história, genealogia, folclore e cultura. Famílias de Minas que construíram a imaginária da república no Brasil e plasmaram na Nação uma República mais da lei do que homens, com João Pinheiro na prática; seguido por Milton Campos na teoria. Essa Casa de João Pinheiro tem alma e tem médium: professor Herbert Sardinha Pinto. Ex-presidente da Casa, ele fez do IHGMG uma extensão do seu apartamento. Rende seu culto à história de forma apaixonada, buscando inserir a verdade em tudo que faz. Católico praticante, quando da visita do Papa João Paulo II, foi o cerimonialista oficial da Nunciatura em São Paulo, por sugestão de João Resende Costa. Mais aqui ele abandona a liturgia e a ritualística para examinar papeis, preencher formulários e redigir atas. Fixando a história da casa de seus maiores através de documentos.

Desses homens ele tem a história ouvida na cozinha e colhida na fonte limpa da família. João Pinheiro da Silva (*1860−†1908), foi mais que um homem de estado. Figura impar das montanhas, foi o doutrinador da república quando ela ainda vagia em seu berço. Reabro o baú da memória e lembro-me de vovó Cecília contando a história de seu avô, coronel Firmo de Paula Freire, que viajara de Minas Novas a Ouro Preto para assistir ao primeiro Congresso Republicano em Minas (1889). Fora em companhia de seu amigo Dr. Francisco Coelho Duarte Badaró (*1860−†1921), homem de boas letras e caráter adamantino, e tiveram que retornar imediatamente em razão de doença no seio da família. Afonso Arinos, em seu extraordinário “Afrânio de Melo Franco: Um Estadista da República”, corrobora a notícia. As revistas do Instituto consignam a versão.

De Israel Pinheiro, o artífice de JK, conta-se que vestia calças remendadas por dona Coracy. Bons tempos onde o dinheiro público era usado por homens que sabiam fazer bom uso dele. Relembro o fato e ouço a emoção do respeitável ancião.


Preciso sair. Dói dizer adeus ao velho querubim tutelar da Casa de João Pinheiro. Despeço do homem mais o seu vulto segue-me na lembrança e imaginação. Pela voz dele ouço as lembranças de Minas e revivo um tempo que definiu a fotografia histórica  dessas gerais.


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

FOLCLORE

FOLGUEDOS FOLCLÓRICOS NO JEQUITINHONHA.
2 – DANÇA DE FITAS



A tradição da “Dança de Fitas” ou Pau de Fitas é muito antiga, advinda dos povos arianos, bretões e celtas, em datas que remontam os anos antes de Cristo, que foi trazida ao nosso país pelos portugueses e para a America Latina como um todo, pelos espanhóis. Quase todos os países também a praticam, do México até a Argentina, especialmente nas festividades rurais ou das colheitas. As culturas célticas e gôdas a praticavam com graça e gosto, segundo escritores franceses; e ela ocorre também no Portugal Medieval e nos reinos que compunham a atual Espanha. Motivados pelas fartas colheitas e a fecundidade dos campos, os camponeses se reuniam em festas ruidosas e alegres para externarem sua gratidão aos deuses da colheita e da fartura, cujo mastro central tinha componente simbólico fálico, além de intercalação de homem e mulher para a coreografia principal, que é o trançado de fitas coloridas com um mastro ao centro, enfeitado de flores (com uma guirlanda coroante) e de cujo topo partem fitas multicolores, em números pares e tantas quantas forem os participantes, geralmente  o casal, "lindamente enfeitadas e bem vestidas", segundo assevera um cronista do século XVIII. Os participantes pegam as pontas livres das fitas e executam o bailado cuja coreografia segue o ritmo dos instrumentos musicais, como sanfona, violão e pandeiro. Os dançarinos trançam e destrançam as fitas, de variadas cores, formando interessantes desenhos, quase todos próximos ao xadrez e ao retângulo, pela intercalação das cores e conexão das fitas. No Brasil, a dança faz parte das festividades natalinas, das colheitas e juninas (todas do ciclo das colheitas e nascimento) mas também, é pode ser dedicada às árvores.
Consta sua ocorrência em vários municípios do vale do Jequitinhonha, especialmente em: Turmalina, Minas Novas, Araçuaí, Medina, Itinga, Januária, Janaúba e Montes Claros. Hermes de Paula, o folclorista norte mineiro, dá ela com ocorrência em Montes Claros e nos distritos daquela região sertaneja. Manuel Esteves também dá a sua ocorrência em Grão-Mogol, Cristália e Rio Pardo de Minas desde os primevos tempos. Segundo Luiz da Câmara Cascudo (Dicionário do Folclore Brasileiro, 1972), em alguns lugares do nordeste, “a dança é conhecida como Trançado, Engenho ou Moinho”. Dela dá-nos notícia Manuel Ambrósio, em seu livro “Brasil Interior: Palestras Populares” (Brasiliana – SP, 1934), acerca de sua ocorrência no vale do São Francisco.

Em Turmalina, segundo consta, ocorre desde o século XIX, nas festas religiosas e em todos os ciclos do ano. Num escrito de 1894, Monsenhor João Antônio Pimenta (*1859—†1946), então vigário de Piedade de Minas Novas, dá notícia das festas de Santo Izidoro, padroeiro dos lavradores, “onde dançavam congos, vilão e trança-fitas”. Militão Fernandes d’Andrade, violeiro de talento, foi o chefe desse folguedo até o ano de 1899, provavelmente o ano de sua morte. Entre 1870/1899, era liderada por D. Maria Antônia de Jesus (*1832—†1899), conhecida como dona Maria Caxambú; Francisca Maria de Jesus, Chica Caxambú (mãe da precedente); Rita Cordeiro de Oliveira (esposa de Miguel Cândido de Macedo) e Altina Maria de Castro. Depois, entre 1910-1934, por Bemvinda Lopes de Macedo, Maria do Quintino, Maria Pinheiro de Carvalho, Joana Vieira de Carvalho e outras. No terceiro ciclo, já passou a ser liderada por Sebastião Gomes Ferreira da Trindade, José Teixeira, João Rocha, Carlos Ferreira Pinto e outros mais. O falecimento de alguns deles e a mudança de Sebastião Trindade, deixou o folguedo em letargia, só passando a ser dançado nas festas a partir do meado da década de 1980, reavivado pelos Viana e a turma de seu Antônio da Arlete, num esforço conjunto com estudantes que gostavam de dança e teatro.

Seus versos são rápidos e dinâmicos, acompanhados por sanfona, violão, cavaquinho, prato e reco-reco. A modalidade que é cantada em Turmalina é ramo do tronco nascido no Rio Grande do Sul, com a clássica “Meu Boi Barroso”, dos pampas sulinos e divisantes com o Paraguai. Sua letra mais conhecida é a seguinte:[1]

Eu mandei fazer um laço
Do couro do jacaré
Pra laçar meu boi barroso
No cavalo pangaré


Eu mandei fazer um laço
Do couro da jacutinga
Pra laçar meu boi barroso
Lá no alto da restinga

Adeus priminha que eu vou-me embora
Não sou daqui, eu sou lá de fora
Meu boi barroso, meu boi pitanga
O teu lugar, ai, é lá na canga

Meu cavalo malacara
Tem andar de saracura
Não tropeça e nem se espanta
Viajando em noite escura

Hoje é dia de rodeio
De churrasco e chimarrão
Venham ver a gauchada
Reunida no galpão


Adeus priminha...

Eu mandei fazer um laço
Do couro do jacaré
Pra laçar meu boi barroso
e meu cavalo pangaré

Eu mandei fazer um laço
Do couro da jacutinga
Pra laçar meu boi barroso
Lá no alto da restinga

Eu mandei fazer um laço
do couro da capivara
Pra laçar meu boi barroso
No cavalo malacara

Eu mandei fazer um laço
Do couro do graxaim
Pra laçar meu boi barroso
Mas só lacei o capim


Adeus priminha...
Tudo isso com versos locais intercalados. Em Santa Catarina, usa-se com freqüência os versos abaixo, segundo consta de uma publicação recente de folclore:


O amor quando nasce
Parece uma flor
É tão delicado
Tão cheio de amor

Seria tão bom
Que ele fosse uma flor
Sem ter espinhos
Da dor

Depois que tudo
É sonho ao luar
Começam os desencantos
O amor passa a existir
Nessa voz do nosso canto...

Como se pode ver, esse folguedo é antigo e pode ser produto da intensa mobilidade humana do brasileiro, cujo comércio humano não conhece distâncias nem fronteiras ao levar suas lendas e suas estórias onde que se estabeleçam.
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[1] Boi Barroso: Tradicionalismo Gaúcho (Adaptação folclórica de Kleiton e Kledyr)



quinta-feira, 11 de julho de 2013

livros no forno e editados


Reedição do livro "Ofertório", com capa
do artista Carlos Konrado, de Aracaju-SE
Editora Brasil Casual

Qual destes homens é o mais ilustre filho de Turmalina?