Dedicatória do blog



Dedico esse blog a memória dos inesquecíveis VICENTE ANTUNES DE OLIVEIRA e Dr. MURILO PAULINO BADARÓ, amigos desta e d'outra vida!!! Ambos estão presentes na varanda da minha memória, compondo a história de minha vida, do meu ser e da minha gênese! Suas vidas são lições de que se beneficiariam, se fossem conhecidas, grandes personalidades e excepcionais estadistas. Enriqueceram o mundo com suas biografias e trouxe ao mundo a certeza que fazer o bem é possível, até mesmo na POLÍTICA!


Dedico também a meu trisavô Firmo de Paula Freire (*1848-1931), um dos maiores servidores da república no vale do Jequitinhonha, grande luminar da pedagogia da esperança!

Nossa Legenda

Nossa Legenda
Nossa Fé e Nosso FUturo

domingo, 24 de janeiro de 2016

REGISTRO DE LIVRO PUBLICADO

A POESIA INSÓLITA DE PETRONIO SOUZA.

Valdivino Pereira Ferreira



Conheci o jornalista Petrônio Souza Gonçalves levado pela amizade de Murilo Badaró, consistindo assim, num espolio espiritual daquele eminente mineiro do qual me fiz herdeiro. É um moço esforçado, daqueles a quem “Carlos Drummond de Andrade” costumava dizer que muitos lhe querem bem e todos lhe devem alguma, desde uma atenção até um trabalho mais penoso. Vive de trabalhar com as letras, jornalista que é, e de brincar com elas, poeta que também é em manhãs boreais de inspirações múltiplas. Após “Adormecer os girassóis” e compor o memorial de sua casa velha, lapidando palavras em contos e versos, escavando em sentimentos pela geografia acidentada de seu caminho, ele vem agora com “UM FACHO DE SOL COMO CACHECOL”, seu mais recente lançamento. Há que se registrar a beleza do conjunto da obra, cuja impressão gráfica, editoração e correção da linguagem, marca de seus trabalhos, honram a casa editora que confeccionou o livro. Seu livro “Um Facho de Sol como Cachecol” está percorrendo o Brasil, no dia 11 de agosto de 2015 o escritor esteve em João Pessoa, na Paraíba, onde palestrou, e no dia 15, em São Tomé das Letras, em Minas Gerais. A critica, pelo jeito, tem recebido bem o “Um Facho de Sol como Cachecol”, composto por 231 poesias sem título, o que é uma inovação na composição dos versos pelo autor. Os poema são iniciados com a primeira frase destacada, que passa a ser o título de cada texto.
Na opinião do celebrado cronista Luís Fernando Verissimo, “o autor é uma revelação na poesia, um elo entre o lírico, o irônico, o insólito e o confessional”. De fato, a poesia de Petrônio se faz única, bela e atual, sem os vícios da cópia e do plágio, tão comuns nesses tempos de facebook e internet. Também não tem o rebuscamento que muitos põe no poema, tirando dele a essência do ternamente simples, matando a ‘escola pedagógica da humildade de Manoel de Barros, cuja cátedra é inigualável’. Poesia telúrica, lembrando das coisas da terra, das vivencias que o acompanham seu caminhar, expressando dureza e cicatrizes, como nesse poema: “Marimbondo fez morada em meu peito, mostrando o abandono do meu coração sozinho”, cuja solidão espiritual transcende a física, pois o burburinho da capital, às vezes, se faz numa solidão de amigos, como cantava Jessé nos festivais de outrora. Constatações duras para o nosso tempo: “No desdouro de nossas vidas, o AMOR pede socorro”, tempo que brinca de lhe enfeitiçar. Parece-me que o português Fernando Pessoa, na sua figura do guardador de rebanhos, lembra em sua obra atual pedaços de sonho, nacos de madrugada. Agruras da sorte, para ele, é inspiração: “Filho da má sorte e do garimpo, tenho sangue prata do mercúrio...”. Há ternura: “Minha mãe, tem uma alegria contida” e “Sou um pouquinho da minha casa, um quarto saudade”. Ou ainda, para expressar seu telurismo contemporâneo: “em Minas tem uma esquina, que tem uma mina que brota poesia”, ou talvez, para alar suas ansiedades, veio com esta: ”Plantarei borboletas nas asas da liberdade”.
Na voracidade do tempo, os versos que ele inspira neste livro se destinam a resistir, a permanecer, como se fossem epitáfios gravados na pedra.
Segundo o escritor Alcione Araújo, “Petrônio fantasiou e coreografou nossas surradas palavras para dizer com “Um Facho de Sol como Cachecol”, de um jeito que jamais diríamos”.

Pois é, o Petrônio é caçador de palavras, que as segura pela beleza das suas mãos ternas e generosas, extensão de seu coração que borbulha caridade poética.
Em 2005 ganhou o Prêmio Nacional de Literatura “Vivaldi Moreira”, da Academia Mineira de Letras, como segundo colocado. Também participei do concurso, recebendo uma menção honrosa, e fiquei honrado em saber que fui suplantado pela inteligência multiforme de Petrônio. Pois ele mesmo é como “Um Facho de Sol como Cachecol”. O autor esmerou-se em se fazer poeta para celebrar o momento, perenizar as coisas pequenas, sempre relegadas a lugar nenhum por nós mesmos. Após a leitura da sua obra recente, sentimos em nós a grandeza das coisas pequenas, dos grãos de areia que se unem para formar a praia, das gotículas d’água que se unem para formar o oceano. E partimos para o paraíso da nossa saudade, terra da utopia que não nos abandona.



sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Registro Literário

ENTRESSOMBRAS DE LUZ


Yeda Prates Bernis havia prometido não mais lançar livros. Era justo com ela e injusto conosco, sempre ávidos do alimento espiritual colhido e dispensado por ela para o nosso repasto. Sempre insisti para que ela rompesse com essa promessa, primeiro porque seria muito bom para a literatura mineira e, segundo, porque seria melhor para nós, seus leitores. E então agora ela resolve fazê-lo, sete anos após subir ao Olimpo da cultura mineira e ultrapassar os umbrais da Academia Mineira de Letras, coroamento de uma carreira luminosa nas letras e construção minuciosa de uma obra altíssima, pontuando Minas no cenário das melhores poetas do Brasil, ombreando com as estrelas solares Henriqueta Lisboa, Cecília Meirelles e Stella Leonardos. Essa última ainda encantando à todos nós e produzindo poesia como nunca. As duas últimas vivendo nas belas páginas que escreveram e em nossos corações.

Yeda é de uma economia verbal proverbial. Mas esbanja demonstrações de afeto, e devo confessar, não conheço quem tenha um coração mais generoso que o seu. Escreve pouco. Seus poemas são curtos, com palavras bem escolhidas e apropriadas para o temário que escolhe. Busca em tudo o que escreve a transcendência espiritual, talvez numa reminiscência psicológica do iluminado aprendizado haurido das lições com a mestra de todos os poetas — a grandiosa Henriqueta Lisboa — de quem foi aluna na mocidade e uma espécie de herdeira espiritual e intelectual após a sua partida para o plano superior, uma vez que cursou “Letras Neolatinas nas Faculdades Santa Maria”, embrião do que é hoje a atual PUC Minas. A aluna conservou durante toda a vida, profundo respeito e imensa gratidão pela mestra veneranda, que a encaminhou no caminho das letras e deu-lhe os primeiros incentivos no artesanato poético. Acho que Henriqueta ainda é uma presença muito marcante na vida e na literatura de Yeda. Mais que forte, profunda.

Acometida por uma degenerescência macular, uma doença na qual a mácula, a parte central e mais vital da retina, se deteriora e embaça a visão —, atualmente ela se compraz em ver os livros pela ótica de outros, e a sentir a emoção neles aprisionada pela contenção da leitura no som da voz alheia. Sua empregada Maria do Carmo, mais amiga que serviçal, se encarregava desse prazer. Foi emocionante para mim vê-las ambas viajando pelo mundo de Eça de Queirós, romancista português de sua predileção. Parece-me que uma completava a outra nessa grande viagem que é a leitura de “Os Maias”, a grande radiografia de uma época e dos costumes sociais da gente portuguesa.

Seus poemas, escritos à conta gotas, estavam sendo publicados ultimamente na Revista da Academia Mineira de Letras, entregues à digitação e revisão de Marília Moura, mas para um público resumidíssimo, uma vez que apenas os assinantes e membros da AML, tem acesso à ilustrada publicação. E agora vem ela de editar, em âmbito pessoal, mais um livro de altíssimo nível, a que ela intitulou “entressombras”. O livro tem o pórtico de entrada com a apresentação de Maria Lúcia Simões e o prefacio de Lina Tâmega Peixoto, duas amigas conhecedoras de sua obra e de sua vida, embora ambas tentem escrever sem contaminar o texto com o vírus da grande devoção que partilham pela poetisa maior das Minas na atualidade.


O livro não traz pontos altos porque ele todo conserva uma unidade criadora inigualável, uma inspiração superior e um canto em tom maior às coisas mais sublimes da vida. As epigrafes são escolhidas à dedo e refletem o alto poder de concisão da autora aliada à compreensão que ela busca nas pequenas coisas que a cercam e permeiam a sua vida. É também um livro biográfico, pessoal, reflexivo de seu mundo interior e da visão alcançada após a impiedosa degeneração macular. Quando se lhe foram fechadas as janelas oculares de seu corpo, o sol da esperança penetrou-lhe as entranhas — corpo, alma e espírito —, para visse em outro plano e de outra forma, aquilo que só o sentimento plenamente educado e contido é capaz de mostrar: a esperança nunca acaba! A visão espiritual transcende o corpo e vai ao cerne do espírito. O espírito sempre achará um atalho para chegar ao plenilúnio do amor e ao ápice da criação. Ler “Entressombras” é adentrar o mundo de Yeda, com seu consentimento e intimidade, e desvendar seu mundo. Foi uma gestação difícil para um filho no outono da vida, mas talvez o filho que faltava para o complemento dos outros filhos literários dados à luz em toda essa caminhada. Após os poemas recolhidos “Entre o rosa e o azul”, ultrapassar o nublado de “Enquanto é Noite”, sarar a “Palavra Ferida”, mostrar seu rumo em “Pêndula”, saciar seus leitores com o “Grão de Arroz”, navegar “À beira do Outono”, mirar o mundo “Encostada na Paisagem”, destilar sua sabedoria em “Anotações sobre Zen e Hai-Kai”, nos brindar com sua maviosa “Antologia Cantata”, desfilar com seu “Viandante” companheiro da vida inteira, ela nos convida para adentar seu mundo: “Entressombras”. Digo ao leitor que aceite o convite, porque o mundo de Yeda é um facho de luz, um nicho de amor e um rancho de paz. E as sombras de seu mundo é um pouco de entreluz.


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Homenagem

Quase Parábola

Para Jeferson Lopes,
 Em seu natalício.

Quem é aquele que ama
Sem nada exigir?
Sem nada esperar receber
E sem nada pedir?
Quem é aquele
Que de nada se esquece:
Casamento, aniversário
Falecimento ou prece?
Quem será aquele
Que o melhor de si
Sempre nos oferece?

Quem? Haveis de perguntar.
Quem?
E eu vos respondo:
No céu Jesus Cristo.
Na terra o Nem!


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Crônica

Roteiro sentimental e
Histórico do Rio de Janeiro


Vir ao Rio foi antes de tudo reviver um roteiro sentimental de mim mesmo e de visitar mentalmente a casa dos antepassados, entre eles os Freire de Andrada, os Nogueira Góis, os Pinheiro Torres, os Godinho da Silva e os Ferreira França. O Rio de janeiro é antes de tudo um imenso cartão postal, emoldurado de mar e montanhas, perfumado de brisa e irrigado de um povo generoso e hospitaleiro. Tenho para comigo que a mídia não faz justiça plena para com o Rio. Morro e favela, traficante e bandido, não é tudo no Rio. O povo simpático e hospitaleiro é o seu maior capital, riqueza imensurável.

Vindo para o hotel, passa-se pela bela avenida perimetral, chega-se à presidente Wilson, onde está o Petit Trianon, sede da Academia Brasileira de Letras e o anexo Palácio Austregésilo de Athayde, onde está o grande teatro R. Magalhães Jr. Pouco depois, na Augusto Severo, estão o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o Colégio Brasileiro de Genealogia, dois da preservação histórica e genealógica do Brasil. Seguindo, passa-se pelos arcos da Lapa e atinge-se a rua Riachuelo, onde fica o Hotel onde estou hospedado. Os arcos da Lapa, construção da primeira metade do século XVIII, segundo informações que recolho de Vieira Fazenda, o inexcedível historiador do Rio de Janeiro (Antiqualhas do Rio de Janeiro, sep. da rev. do IHGB), foram construídos pelo Capitão-General Gomes Freire de Andrada (*1685
─Ť1763), 1° Conde da Bobadella (dec. 1735), quando governou a capitania do Rio de Janeiro, sendo que depois acumulou os governos de Minas e Rio Grande do Sul. Tenho a subida honra de descender de seu irmão, o General Mestre de Campo José Antônio Freire de Andrada, segundo Conde da Bobadella, título que herdou de seu falecido solteiro e sem descendência. Como o irmão, governou as Minas Gerais, quando ele se ausentou para as lides da Guerra da Cisplatina, quando a Espanha quis invadir os povos das “Sete Missões” e a sede do governo da “Colônia do Sacramento”...

Revejo mentalmente as fisionomias deles. Homens puros e bravos, construtores das feições nacionais brasileiras. Seu retrato em tamanho natural está no Convento de Santa Tereza.

Al lado do Hotel Rio's Nice, sobe a ladeira do Castro, onde ficava as habitações do Coronel Gentil José de Castro, comendador da Ordem da Rosa e procer monarquista no nascimento da República (morto em 1897). Casado com dona Anna Pinheiro de Quadros, em 1868, em Piedade de Minas Novas, hoje a minha querida Turmalina.

E além o “Chafariz de 1817”, mandado construir pelo Rei em “amor de seus povos”, que ali transitavam rumo à Mata-cavalos. Fico imaginando quantas vezes o nosso tetravô – Cel. Miguel Godinho da Silva – dessedentou seu cavalo ali, quando ia ao encontro de seu irmão Major José Godinho da Silva, ali residente, homem de teres e haveres naquele Rio de Janeiro do século XIX.

Registre-se a casa do General Manuel Luiz Osório... no panteão de nossos mais ilustres heróis nacionais.

Tudo isso nessa rua “Riachuelo”, cuja batalha é uma legenda pra nós brasileiros e para a própria nação.


RJ. 27.10.2013.

O general Gomes Freire de Andrade,
parte da história do Brasil.

Breve Nota de uma leitura

Um autor e seu livro


"Liber immortalizes homine et ponit in mente divina. Johannes: Ecce vidi libro vitæ, et nomen omnibus quæ scripta sunt in eo. Ut mente Dei est tabula in qua scribimus a corde sanguis ac pietas et qui diligunt nomen ejus quis".


I

Ao criar o ser humano, Deus doou-lhe parte de sua essência, uma das quais indispensáveis, o dom da generosidade. Incontáveis são os dons vindos do Pai, o verdadeiro Oleiro, o primeiro artesão, porque com suas mãos e com o barro fez o Homem, em momento de profundo amor e coroando o ápice de sua obra criativa.

Sem nenhum favor ou uso de desnecessária retórica, parece-me que Ele se esmerou ao colocar o homem no nordeste, que une o sabor brasileiro da unidade com um modus vivendi todo seu, todo moldado numa cultura sui generis, formatada na tempera rija do sertanejo queimado de sol e na delicadeza imensurável que se esconde por trás duma valentia mais épica e burlesca do que antropológica ou psicológica. Aliás, é nisso que reside a beleza do ser humano, na sua feição local e regional; na sua conformação inteira que nasce de cada estado, Nação e condição social. O traço que une tudo isso é a certeza do amor e a necessidade de amar.

Se uma lição recebi de generosidade foi do escritor cearense Almir Gomes de Castro. Estava eu ultrapassando uma crise diabética, com dores nos pés e nas extremidades, visão embaçada ao extremo, e conversava sobre isso com um seu colega, mais que isso, amigo. Sem mais nem menos, ele ofertou-me seu livro “Kuriquiã: O romance das águas claras”, no qual narra a epopeia romanesca de Jorge Tufic, um poeta de sangue árabe e verso alado, cujos ascendentes radicaram-se no Acre, migraram depois para o Amazonas e agora fixaram-se no Ceará.

Mas é bom que se fale de Almir Gomes de Castro. Cearense da gema, embora bem formado e dotado de boa cultura, ele traz desde a superfície da epiderme até a medula as boas tradições daquele Ceará bravio, decantado por Catulo da Paixão Cearense, Antônio Salles, Juvenal Galeno, Gerardo Melo Mourão, Américo Facó, Humberto Teixeira (o grande parceiro de mestre Lua Gonzagão), com Patativa do Assaré na prateleira de cima. Francisco Sá, mineiro de boas letras e cultura, após breve carreira política em Minas, radicou-se lá nas plagas cearenses, onde conubiou-se com Olga Nogueira Accioly, filha do potentado local e descendente dos mandatários sertanejos do Cariri-Juazeiro. Como pesquisador de genealogia brasileira, recorro sempre as fontes cearenses que reputo de boníssima procedência, entre eles João Brígido, Barão de Studart e Francisco Augusto de Araújo Lima, são dos mais frequentes.

Médico traumato-ortopedista e anestesista de nomeada em Fortaleza, ele vive mesmo é de emendar nervos, costurar carne, lenir dores e emendar ossos. E... ossos do ofício, ele descansa escrevendo.
Nele impera o verbo claro, a narrativa viva e o amor latente pela sua terra. Assim vejo.

II

         O livro “Kuriquiã”, é quase que um roteiro cinematográfico, com imagens vivas e diálogos bem estruturados, num história baseada num enredo emocionante e pulsante de vida. Partindo das origens familiares e clânicas dos Tufic, povo de terras longínquas e diferentes, tão distantes do risco geográfico do Ceará quanto a Lua do Sol.

A Enciclopédia Delta Universal, registra o seguinte sobre a origem da família Tufic:
Toufic, em árabeتوفيق, é um nome tradicional dado ao gênero masculino. É o equivalente hebraico תוביק do macho de nome Tovik ou Tuvik. Ambos os nomes nascem do semítico antigo e significa "bom", "êxito", "Deus está bem com você", "reconciliação" ou "boa fortuna". É também plausível como um sobrenome. Registram-se as seguintes variantes de escrita e pronúncia: Toufik, Toufick, Tofik, Tofic, Tofick, Tovik, Tovic, Tovick, Touvik, Toviq, Tufic, Tufik, Tufick, Tuvik, Tuvic, Tuvick, Tuviq, Taufic, Taufik, Taufick, Tawfiq, Tawfik, Tawfic, Tawfick, Tewfik e Tefik. "Toufic" e "Tovik" são semelhantes a "Tobias", segundo várias transliterações.

Acho que Almir Gomes de Castro, em momento feliz, resolveu botar no papel a alma e a biografia desse grande poeta, cuja revolta genética trasmuda em alta sensibilidade poética e compreensão humana, porque vindo de uma parte do globo fértil em conflitos clânicos e religiosos. Acolhidos no Brasil, terra de contrastes sociais e políticos, mais de uma democracia humana e econômica de rara amplitude, sentiram-se envoltos pelo manto da acolhida e o aconchego do amor do povo acreano. À isso Tufic devolveu em versos de inspirada feição canônica no soneto em poemas lindíssimos que nascem da sua fina sensibilidade.

Mas o livro não é uma biografia, e sim uma história romanceada do poeta, alado e contido ao mesmo tempo.

Perpassando as páginas, vai se enredando na Amazônia lendária, densa e quente, tropical e nebulosa, cujos cantares o autor transcreve em seu texto límpido e escorreito.

Muito apropriadamente, o ilustre Caio Porfírio Carneiro diz que o livro é um bom roteiro de filme. Agente o livro e participa das pescarias e das aventuras dos ribeirinhos, Salazar, Ritinha, Estevam, Dr. Hélio Abreu, o velho Libório... São muitos personagens, porque a estória pulsa na correnteza da memoria de Almir, que as derrama sobre o papel. Sem compromisso com a chatice da descrição histórica e cronológica, ele traça um perfil biográfico bem acabado do poeta Tufic, dando como pano de fundo a Amazônia misteriosa e acontecimentos históricos brasileiros e internacionais. Mas sem dar aula de história. O sabor do livro reside nisso.

O romance de uma vida também é um canto de esperança. O termo final é lindo, denso e especialmente terno, embora remeta à Caverna do Inferno.

III

         Grato aqueles que registraram impressões sobre seu precioso livro, o autor reúne ao final do texto uma farta fortuna crítica, com nomes consagradas da nossa literatura e opiniões bem abalizadas emitidas sobre seus vários escritos. Fez muito bem, embora que foi muito oneroso para o autor, engrossando o caudaloso romance.

Prova maior de que o traço maior da sua personalidade é mesmo a generosidade. Aproveito para agradecer a obra e a viagem proporcionada pelo romance de sua lavra. Aprendi a ser mais brasileiro com o cearense Almir. Pena que nada posso ensinar. Mas agradeço pela graça da audiência e o privilegio da atenção.


É o que sinto após a leitura de seu “Kuriquiã”.

Dr. Almir Gomes de Castro, contista, romancista e poeta, além de cordelista.
O amor a medicina e a literatura norteiam sua vida.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Registro Literário

Elizabeth Rennó recebendo a Medalha Santos Dumont, 2010.

Uma lady poeta


 O encontro com Elizabeth Rennó é sempre um exercício de inefável prazer de viver o momento e do convívio em si. Ler seus livros é enveredar-se pelos caminhos dos sonhos, subir ao paraíso e despencar das nuvens rumo ao êxtase. Sua formação literária, naturalmente, aprimorou-lhe o dom inato e a vocação latente, para as letras e a poesia. Discreta ao extremo, aliás, discretíssima, ela tem o porte nobre das lady’s inglesas e desfruta da boa conversação de uma pessoa de vasta cultura e profunda sensibilidade. Em boa hora e justiça ao seu labor literário, a UBE-RJ concedeu-lhe o “Prêmio Nacional de Leitura, categoria Poesia 2013”.

Recebi seu livro “Quatro estações mais uma”, em ótima edição da Editora Aldrava Letras e Artes, sediada em Mariana. Visualmente o livro está lindo, materialmente o livro está rico. Trabalho gráfico de alto valor, diagramação e visual maravilhoso, num trabalho esmerado da editora. A arte da capa um trabalho impecável de Andréia Donadon Leal (Deia Leal). Nada demais vindo de Elizabeth Rennó. Se ela é boa na prosa, na poesia ela tem se mostrado realmente maravilhosa. Seu estro não se diminui em momento nenhum, ao contrário tem sido elevado às alturas em seus livros mais recentes. Salvo melhor juízo, nessa altura da vida, parece-me que a poeta quer celebrar seu viver outonal com fortíssima ascendência em sua fase primaveril. E o faz magistralmente. Pois é no outono, hoje um período maravilhoso na vida feminina em função da tecnologia e do avanço médico-científico, que as mulheres se fixam em beleza e mistério, em sabedoria e acuidade, numa união maravilhosa de experiência e aprendizado, combinados com uma solidez impressionante de inteireza da vocação; além da compreensão humana e psicológica advindas de seus verões e invernos pregressos. Vê-se numa leitura panorâmica da obra o intenso prazer de viver que a autora demonstra em suas composições, o amor latente com que celebra as coisas cotidianas da vida e o valor que tributa às liras de Parnaso. Sobe ao Olimpo para celebrar a poesia e mantém a capela das deusas do poema em alfaias de luz e em altar de brilhante. Porque sabe que ainda há que viver, há mais para amar, um mar de celebrações a esperar, um oceano de futuros e amanhãs para sonhar. Bendito outono, gostosa primavera rediviva entre sonhares e cantares, emanados de um coração acostumado a amar, apaixonado pelo belo e em busca do engrandecimento da divindade plantada nos seres humanos.

Colho aqui e ali exemplos de composições bem acabadas saídas de sua pena aurea, brotados na derme da sua sensibilidade e nascidos da sua alma. Dou por exemplo o poema “Ao poeta”, na página 14:

“No príncipio, o Verbo
Palavra encarnada
Transmutação idealizada
Traducao arquetípica
Origem das origens
Alfa cosmogônico...

... surge a figura do poeta
Ser predestinado
O que vê além e mais alto...”

Não é preciso comentar o poema. Ele fala por si. O leitor sente, pressente e entende o recado. É lúdico e alto, é belo e celebrativo ao mesmo tempo. Nos poemas em que celebra a palavra, embaixatriz da alma e extensão do espírito, onde ela alarga o sentimento e exalta esse dom advindo de Deus. Profunda conhecedora da língua, inculta e bela na sentença clássica de Olavo Bilac (*1865—†1918), ela o faz com maestria a junção da palavra e a exaltação do ser como prova da beleza e afirmação líricas. No poema “Fuga”, página 33, ela diz:

“Em traços regulares
e limites contidos
tentei aprisionar
as silabas
e os fonemas
de comportadas palavras...

Palavras
são poderosas
na amplidão da essência
na liberdade
que cria
razão de existência.”

Em outra parte, a que intitulou “Ser”, ela penetra em si e se mostra por inteira, em momentos de grandeza psicológica e espiritual para enviar seu recado à quem queira ouvi-lo e entendê-lo. Em “Amor presente”, página 78, ela derrama sobre o papel parte de seu coração comprometido com a paz e com o amor:

“Um gesto
um olhar
o sentido
do amor presente
em ato superposto
ao carinho da origem
a companhia diligente
o saber fazer concreta
a intrínseca consistência
do ser.”

O final do livro desfaz-se em mistério, pressentimento e celebração. Quatro são as estações do ano que ela usa como metáfora para a vida e parábola para a educação do sentimento. E mais uma! Qual seria essa estação inominada? Com certeza não é verão nem inverno, muito menos primavera ou outono. Poderia ser a espera ou a certeza. A espera da colheita e a certeza de haver plantado, o trigo do amor e o centeio da paz; e também de amassar o pão eucarístico com o vinho da esperança. A seara da vida foi bem cultivada por Elizabeth Rennó, que zelosa de sua produção poética e de sua prosa esmerada, vem conquistando galardões com sua pena caprichosa. O tempero da esperança é o sabor principal de seus poemas. A transcendência almejada por ela é perfeitamente alcançada.


Em espaço tão curto, não dá para dar vazão à tudo que nasce da leitura de livro tão profundo. Cala no coração, fixa na mente. Mais uma vez Elizabeth Rennó nos encanta com sua poesia. “Ut videre, ut ego sentio, et dicere volo”, como na sentença latina.

Elizabeth Rennó, numa bela fotografia, para a posteridade...


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

crônica

A NOSSA TERRA

  As coordenadoras da edição e José Geraldo Rocha.

Todos nós achamos que a nossa terra é a melhor do mundo. E talvez seja mesmo. Conta-se que Sêneca orgulhava-se muito da pequena aldeia onde foi gestado e dera seu primeiro vagido, cujo eco fora recolhido ao seio de sua mãe. Contava isso com muita honra para seus discípulos. Platão e Bias, sábios gregos da primeira plana, também davam grande publicidade às miserabilíssimas aldeias em que nasceram.

Segundo Plínio, o moço, “o dever sagrado do amor à pátria é um dos quais devemos ter medo e vergonha de abjurar perante Deus e perante os homens”. Digo isso porque vejo editado um ótimo livro sobre os amares e os sonhares dos escritores não publicados de Turmalina, sob a competente direção de Gilda Gomes de Macedo e Rosangela Pinheiro. Trata-se do sumo extraído do projeto “O escritor na biblioteca”, levado avante por Neyck Lopes e a equipe da “Biblioteca Comunitária Ler é Preciso Dª Augusta Lima Maciel”, que tenta promover a leitura e a escrita entre os leitores da mesma.

Derramar o sangue e o espírito sobre o papel é uma tarefa difícil, dolorosa e espinhenta, segundo se nota após a leitura de alguns autores ali antologiados. Segundo Lucas Santana, ler é bom, mas escrever é um martírio. O professor José Geraldo Rocha, então vereador da bancada petista, mistura lirismo, erotismo e canto biográfico numa miscelânea bastante interessante, dando mostras de seu enorme talento até agora escondido perante os olhos perscrutadores de Turmalina. Eunice Gomes relata o milagre de sua existência num canto de fé em Deus e amor aos pais. Maria Geralda Soares conta suas experiências de fé transcendente, maternidade e a chegada dos netos. Bianca Leão fala da admiração pela matriarca da família. E assim prossegue...

Bem... é bom que se diga que o título do livro é obra do talhe magistral de Carlos Drummond de Andrade (*1902—†1987) — Trouxeste a Chave? — e mescla variados assuntos entre os quais o existencialismo. Sobre isso discorre com bons argumentos a psicóloga Lívia Orsine acerca da vida e da obra da grandiosa Clarice Lispector. “A hora da estrela”, romance introspectivo da autora, inovadora e desconcertante na sua abordagem da humanidade inquietante em Macabéa, misto de gente e nada existencial. Comodismo psicológico e inquietação espiritual permeiam o romance “A hora da estrela”... busca e experimentalismo é encontrado pelos leitores do projeto e identificado pela ensaísta Livia. De fato...


Graficamente, o livro está muito apresentável. O conteúdo alegra a todos que o lêem. Dá orgulho aos antologiados estarem nele. Os parabéns do cronista...


terça-feira, 27 de agosto de 2013

crônica

UM HOMEM E SUA SILHUETA

Da esquina da avenida Olegário Maciel com a praça Raul Soares o seu vulto surge devagar e constante em minhas retinas. A sua presença no Instituto Histórico é um instinto, é como o ar de cada respiro, o sol de cada manhã, a bruma de toda madrugada. Ou seja, existe uma simbiose entre o homem e a instituição que ninguém desfaz. Após o abraço da chegada o assunto é infindo: história, genealogia, folclore e cultura. Famílias de Minas que construíram a imaginária da república no Brasil e plasmaram na Nação uma República mais da lei do que homens, com João Pinheiro na prática; seguido por Milton Campos na teoria. Essa Casa de João Pinheiro tem alma e tem médium: professor Herbert Sardinha Pinto. Ex-presidente da Casa, ele fez do IHGMG uma extensão do seu apartamento. Rende seu culto à história de forma apaixonada, buscando inserir a verdade em tudo que faz. Católico praticante, quando da visita do Papa João Paulo II, foi o cerimonialista oficial da Nunciatura em São Paulo, por sugestão de João Resende Costa. Mais aqui ele abandona a liturgia e a ritualística para examinar papeis, preencher formulários e redigir atas. Fixando a história da casa de seus maiores através de documentos.

Desses homens ele tem a história ouvida na cozinha e colhida na fonte limpa da família. João Pinheiro da Silva (*1860−†1908), foi mais que um homem de estado. Figura impar das montanhas, foi o doutrinador da república quando ela ainda vagia em seu berço. Reabro o baú da memória e lembro-me de vovó Cecília contando a história de seu avô, coronel Firmo de Paula Freire, que viajara de Minas Novas a Ouro Preto para assistir ao primeiro Congresso Republicano em Minas (1889). Fora em companhia de seu amigo Dr. Francisco Coelho Duarte Badaró (*1860−†1921), homem de boas letras e caráter adamantino, e tiveram que retornar imediatamente em razão de doença no seio da família. Afonso Arinos, em seu extraordinário “Afrânio de Melo Franco: Um Estadista da República”, corrobora a notícia. As revistas do Instituto consignam a versão.

De Israel Pinheiro, o artífice de JK, conta-se que vestia calças remendadas por dona Coracy. Bons tempos onde o dinheiro público era usado por homens que sabiam fazer bom uso dele. Relembro o fato e ouço a emoção do respeitável ancião.


Preciso sair. Dói dizer adeus ao velho querubim tutelar da Casa de João Pinheiro. Despeço do homem mais o seu vulto segue-me na lembrança e imaginação. Pela voz dele ouço as lembranças de Minas e revivo um tempo que definiu a fotografia histórica  dessas gerais.


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

FOLCLORE

FOLGUEDOS FOLCLÓRICOS NO JEQUITINHONHA.
2 – DANÇA DE FITAS



A tradição da “Dança de Fitas” ou Pau de Fitas é muito antiga, advinda dos povos arianos, bretões e celtas, em datas que remontam os anos antes de Cristo, que foi trazida ao nosso país pelos portugueses e para a America Latina como um todo, pelos espanhóis. Quase todos os países também a praticam, do México até a Argentina, especialmente nas festividades rurais ou das colheitas. As culturas célticas e gôdas a praticavam com graça e gosto, segundo escritores franceses; e ela ocorre também no Portugal Medieval e nos reinos que compunham a atual Espanha. Motivados pelas fartas colheitas e a fecundidade dos campos, os camponeses se reuniam em festas ruidosas e alegres para externarem sua gratidão aos deuses da colheita e da fartura, cujo mastro central tinha componente simbólico fálico, além de intercalação de homem e mulher para a coreografia principal, que é o trançado de fitas coloridas com um mastro ao centro, enfeitado de flores (com uma guirlanda coroante) e de cujo topo partem fitas multicolores, em números pares e tantas quantas forem os participantes, geralmente  o casal, "lindamente enfeitadas e bem vestidas", segundo assevera um cronista do século XVIII. Os participantes pegam as pontas livres das fitas e executam o bailado cuja coreografia segue o ritmo dos instrumentos musicais, como sanfona, violão e pandeiro. Os dançarinos trançam e destrançam as fitas, de variadas cores, formando interessantes desenhos, quase todos próximos ao xadrez e ao retângulo, pela intercalação das cores e conexão das fitas. No Brasil, a dança faz parte das festividades natalinas, das colheitas e juninas (todas do ciclo das colheitas e nascimento) mas também, é pode ser dedicada às árvores.
Consta sua ocorrência em vários municípios do vale do Jequitinhonha, especialmente em: Turmalina, Minas Novas, Araçuaí, Medina, Itinga, Januária, Janaúba e Montes Claros. Hermes de Paula, o folclorista norte mineiro, dá ela com ocorrência em Montes Claros e nos distritos daquela região sertaneja. Manuel Esteves também dá a sua ocorrência em Grão-Mogol, Cristália e Rio Pardo de Minas desde os primevos tempos. Segundo Luiz da Câmara Cascudo (Dicionário do Folclore Brasileiro, 1972), em alguns lugares do nordeste, “a dança é conhecida como Trançado, Engenho ou Moinho”. Dela dá-nos notícia Manuel Ambrósio, em seu livro “Brasil Interior: Palestras Populares” (Brasiliana – SP, 1934), acerca de sua ocorrência no vale do São Francisco.

Em Turmalina, segundo consta, ocorre desde o século XIX, nas festas religiosas e em todos os ciclos do ano. Num escrito de 1894, Monsenhor João Antônio Pimenta (*1859—†1946), então vigário de Piedade de Minas Novas, dá notícia das festas de Santo Izidoro, padroeiro dos lavradores, “onde dançavam congos, vilão e trança-fitas”. Militão Fernandes d’Andrade, violeiro de talento, foi o chefe desse folguedo até o ano de 1899, provavelmente o ano de sua morte. Entre 1870/1899, era liderada por D. Maria Antônia de Jesus (*1832—†1899), conhecida como dona Maria Caxambú; Francisca Maria de Jesus, Chica Caxambú (mãe da precedente); Rita Cordeiro de Oliveira (esposa de Miguel Cândido de Macedo) e Altina Maria de Castro. Depois, entre 1910-1934, por Bemvinda Lopes de Macedo, Maria do Quintino, Maria Pinheiro de Carvalho, Joana Vieira de Carvalho e outras. No terceiro ciclo, já passou a ser liderada por Sebastião Gomes Ferreira da Trindade, José Teixeira, João Rocha, Carlos Ferreira Pinto e outros mais. O falecimento de alguns deles e a mudança de Sebastião Trindade, deixou o folguedo em letargia, só passando a ser dançado nas festas a partir do meado da década de 1980, reavivado pelos Viana e a turma de seu Antônio da Arlete, num esforço conjunto com estudantes que gostavam de dança e teatro.

Seus versos são rápidos e dinâmicos, acompanhados por sanfona, violão, cavaquinho, prato e reco-reco. A modalidade que é cantada em Turmalina é ramo do tronco nascido no Rio Grande do Sul, com a clássica “Meu Boi Barroso”, dos pampas sulinos e divisantes com o Paraguai. Sua letra mais conhecida é a seguinte:[1]

Eu mandei fazer um laço
Do couro do jacaré
Pra laçar meu boi barroso
No cavalo pangaré


Eu mandei fazer um laço
Do couro da jacutinga
Pra laçar meu boi barroso
Lá no alto da restinga

Adeus priminha que eu vou-me embora
Não sou daqui, eu sou lá de fora
Meu boi barroso, meu boi pitanga
O teu lugar, ai, é lá na canga

Meu cavalo malacara
Tem andar de saracura
Não tropeça e nem se espanta
Viajando em noite escura

Hoje é dia de rodeio
De churrasco e chimarrão
Venham ver a gauchada
Reunida no galpão


Adeus priminha...

Eu mandei fazer um laço
Do couro do jacaré
Pra laçar meu boi barroso
e meu cavalo pangaré

Eu mandei fazer um laço
Do couro da jacutinga
Pra laçar meu boi barroso
Lá no alto da restinga

Eu mandei fazer um laço
do couro da capivara
Pra laçar meu boi barroso
No cavalo malacara

Eu mandei fazer um laço
Do couro do graxaim
Pra laçar meu boi barroso
Mas só lacei o capim


Adeus priminha...
Tudo isso com versos locais intercalados. Em Santa Catarina, usa-se com freqüência os versos abaixo, segundo consta de uma publicação recente de folclore:


O amor quando nasce
Parece uma flor
É tão delicado
Tão cheio de amor

Seria tão bom
Que ele fosse uma flor
Sem ter espinhos
Da dor

Depois que tudo
É sonho ao luar
Começam os desencantos
O amor passa a existir
Nessa voz do nosso canto...

Como se pode ver, esse folguedo é antigo e pode ser produto da intensa mobilidade humana do brasileiro, cujo comércio humano não conhece distâncias nem fronteiras ao levar suas lendas e suas estórias onde que se estabeleçam.
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[1] Boi Barroso: Tradicionalismo Gaúcho (Adaptação folclórica de Kleiton e Kledyr)



Qual destes homens é o mais ilustre filho de Turmalina?